Receptivo de Escolas e ações apresentadas no Gaia Village

Um número expressivo de Escolas de Garopaba visitou o Projeto Ambiental Gaia Village (GV), no contexto da Mostra Lutz, visando conhecer as ações do Projeto.
Recebemos cerca de 500 alunos e de 13 Escolas (EM Ambrósio, EM Areias de Palhocinha, Escola Arvoredo, EM Agostinho Botelho, EM Ary Manoel, EM Areias de Ambrósio, EM Costa do Macacu, EM Jandira, EM Januario D. Ferreira, EM Areias do Macacu, Pré-Escola Asesv e Colégio Curupira e Centro Educacional Porto Seguro).


No roteiro, os grupos tiveram a oportunidade de conhecer e interagir com algumas das tecnologias amigáveis implementadas no Projeto, dentre elas:

PAINEL SOLAR

A energia fotovoltaica é resultado da transformação direta da luz em energia elétrica através de células que quase sempre são a base de silício, conhecido como placa solares.

O sistema do Gaia Village, implementados em 2008, consiste em 6 painéis fotovoltaicos 64wt, 1 regulador de corrente, 4 baterias e 1 inversor de corrente.

Este sistema produz 2,2 kw dia, considerando-se todas as variáveis de insolação no mês (média 06 horas sol/dia). Esta energia é acumulada em um banco de 4 baterias de 150 a/hora e transformada por um inversor para consumo. No momento abastece a demanda de todo escritório e casa comunal (lâmpadas econômicas; 03 computadores; 02 impressoras; Moden internet, Fax e Central de Rádio).

Construido sobre uma base móvel, é transportado sob uma carreta quando são realizados eventos em locais dentro do GV que não possuem energia convencional, como na Praia do Ouvidor.


AQUECEDOR SOLAR

Criado pelo catarinense José Alcino Alano, o aquecedor solar com garrafas pet e caixas de leite, é uma tecnologia de baixo custo que contribui para reduzir o consumo de eletricidade e preservar o meio ambiente, promovendo a cultura de reaproveitamento e reciclagem dessas embalagens.

Seguindo orientações do manual construimos um aquecedor solar demonstrativo, utilizando 30 garrafas pet, 30 caixas de leite, mangueira preta e uma caixa de isopor que fica exposto no pátio do GV, permitindo que os visitantes interagem com a tecnologia.

Na região da Praia do Ouvidor, construímos em 2008, um aquecedor solar com 300 garrafas pet e 300 caixas de leite, visando aquecer o chuveiro do Espaço Ouvidor e que atende perfeitamente as necessidades dos participantes de eventos daquele local.

Saiba como construir um aquecedor solar consultando o site:

http://josealcinoalano.vilabol.uol.com.br/manual.htm


COMPOSTEIRA

A compostagem doméstica é um exemplo de apropriação, pelo ser humano, de um ciclo que ocorre espontaneamente na natureza, de decomposição e reciclagem de matéria orgânica. Utilizando restos de alimentos e palha, produz-se húmus sob os mesmos princípios desse ciclo natural. O húmus, também chamado de composto, é então utilizado como adubo em pomares e hortas.

No GV temos uma composteira que recebe material orgânico (restos de comida, pó de café, talos e cascas) provenientes da cozinha. Na composteira, os restos dão transformados em humus, ocorrendo em fases distintas:

a. Primeira, normalmente denominada decomposição: bactérias e fungos decompõem a matéria orgânica. A temperatura pode chegar naturalmente a 65-70°C, devido à liberação de energia na forma de calor (respiração aeróbica dos microrganismos). Nesta temperatura, durante um período de cerca de 15 dias, eliminam-se agentes patogênicos como, por exemplo, salmonelas, ovos de parasitas, larvas de insetos, etc.

b. Após essa intensa decomposição, bactérias e fungos atuarão na segunda fase, de maturação: a temperatura fica na faixa de 45-30 °C e o tempo pode variar de 2 a 4 meses.

c. Por fim, quando o ambiente já está propício e sob temperaturas mais amenas, entre 30 e 250C, minhocas, centopéias, tatuzinhos, formigas, besouros, dentre outros organismos, finalizam o processo de transformação dos restos alimentares em húmus.

- A matéria orgânica leva em média 6 meses para se decompor por completo. Após este período, o material é usado usado na horta, canteiro de medicinais, viveiro e jardim.

HORTA

“Uma horta é um bom lugar para começar. E pra continuar, até acabar. Seria bom saber que alguém colherá coisas que nós semeamos, depois da nossa partida, e as plantas continuarão, como um gesto nosso de amor.” Rubem Alves

Em um pequeno espaço, criou-se uma horta, onde são plantadas verduras e legumes. Ali é produzido alface, couve, beterraba, cenoura, brócolis, abóbora, pepino, rúcula, tomate, pimenta, cebolinha e temperos em geral.

Tudo é produzido de forma orgânica, sem adição de nenhum produto químico. A adubação é feita com substrato produzido na composteira doméstica e o consórcio com as galinhas (que ficam em um galinheiro móvel) contribui muito para aumentar a fertilidade do solo.

Em casos eventuais de ataque de pulgões, lagartas e cochonilhas costumamos usar um repelente natural de insetos, feito a base de sabão e água. Em casos mais agudos, utilizamos uma mistura de fumo em corda e álcool. Aprenda agora como fazer repelentes caseiro e natural para evitar que sua horta seja atacada pelos insetos:

Inseticida com água e sabão

- Picar 50 gramas de sabão para desmanchar em 05 litros de água quente mexendo sempre.

- Pulverizar esta mistura fria sobre as plantas.

Inseticida de fumo

- Picar um pedaço de fumo em corda (10 cm) e colocar em 10ml de álcool e 01 litro de água. Deixar curtir por 01 dia.

- Quando pronta, coar e colocar em 10 litros de água e pulverizar sobre as plantas atacadas.

Os alimentos produzidos são consumidos nos eventos realizados no Projeto e também atendem demanda de visitantes e dos colaboradores que trabalham no GV, oportunizando alimentos saborosos e saudáveis.

HORTO ERVAS MEDICINAIS

Associado à horta, os visitantes podem apreciar alguns canteiros, onde estão plantadas cerca de 30 espécies de ervas medicinais e aromáticas. Ali as crianças surprendem-se ao sentirem o cheiro e o gosto mentolado da “Menta peperita” que lembra uma bala de “halls”; descobrem que a flor da “capuchinha” é comestivel e decora lindamente um prato de saladas; e que uma folhinha miúda e cheirosa é a base do xarope para tosse que todos conhecem, o “Poejo”.

As ervas do horto, além de servirem para chás, são utilizadas para temperar os alimentos preparado no GV e também entram na composição de vitaminados e saborosos sucos verdes.

Este local também é uma experiência embrionária do futuro horto do GV que deverá produzir medicamentos fitoterápicos para atender a demanda da criação orgânica dos búfalos.


EDIFICAÇÕES SUSTENTÁVEIS

Casa Sede


Os espaços na área do GV são construídos visando a sustentabilidade e o mínimo impacto possível ao ambiente natural. As construções foram planejadas para haver aproveitamento da luz do sol, com áreas de interesse posicionadas para o norte. Na sede do projeto tem-se a casa sede onde mora o coordenador do GV e sua família.Também possui banheiro seco e a água do chuveiro é aquecida através de uma serpentina instalada no fogão à lenha, reduzindo-se o uso de energia elétrica.

Casa Comunal

A casa comunal também foi construída seguindo o padrão da casa sede, mas possui um deck com telhado translúcido, usando também bambu. O refeitório é coberto com telhas ecológicas. Os banheiros são convencionais, com água chuveiro aquecida com serpentina. Há também diferenciação no tratamento de efluentes com a utilização de zona de raízes. Além de ser um espaço para hospedagem de estagiários, funciona uma pequena biblioteca e também o escritório.

Espaço Gaia

A partir de uma casa centenária construiu-se o Espaço Gaia em 2004. É uma construção que aplica os conceitos da arquitetura sustentável com aproveitamento total de materiais construtivos. Associada à construção tem-se a coleta de água da chuva que é usada no lavabo do banheiro, o aproveitamento de luz, ventilação cruzada, banheiro seco e futuramente pretende-se usar energia solar.

BANHEIRO SECO

O banheiro seco é um sanitário que usa o método da compostagem dos dejetos com serragem e papel higiênico, eliminando a necessidade de água potável.

O banheiro seco transforma problema (dejetos) em recurso, já que ao final do ciclo produz húmus. Isso representa verdadeira ciclagem de fertilizantes agrícolas, uma vez que os nutrientes dos alimentos ingeridos retornarão para o solo, completando o ciclo natural.

Existem, ainda, inúmeras outras vantagens:

· não requer instalações hidráulicas

· não produz lixo contaminante

· elimina agentes patogênicos

· produz um subproduto livre de odores e passível de manuseio

· permite a reutilização do material como composto orgânico

· dispensa maquinários em sua manutenção anual

· tem custo operacional irrisório

· não agride o meio ambiente

· possui um alto potencial de capitalização em marketing ecológico.

Como se estrutura o sanitário:

O sanitário é composto de duas partes:

1) cabine de uso

2) duas câmaras de compostagem


A cabine é aparentemente igual a de qualquer sanitário convencional, apresentando uma única diferença: a parte oca do interior do vaso é construída de maneira que não se tenha contato visual com os dejetos.

As câmaras de compostagem ficam abaixo do vaso sanitário, de modo a promover o aquecimento solar e a ventilação do material para favorecer o processo de compostagem.

A ventilação é garantida por um duto/chaminé que através de um processo chamado termossifão (ventilação solar) torna o sanitário inodoro.

E por que duas câmaras? Porque enquanto em uma os resíduos estão em processo de compostagem, a outra está em operação. Isso quer dizer, que o banheiro tem também dois assentos sanitários que funcionam em períodos alternados.

Após o uso de uma câmara, por um período de 3 a 6 meses, passa-se a usar a outra câmara. No final de cada período de repouso retira-se o composto e alterna-se novamente o uso das câmaras.

Como fazer a manutenção

· Após o uso, ao invés de apertar a descarga (que não existe no banheiro seco), é necessário jogar um pouco de serragem dentro do vaso, juntamente com o papel higiênico. Associada aos microorganismos, a serragem e o papel higiênico permitem a decomposição dos resíduos, sem causar mau odor.

· Não jogar dentro das câmaras materiais inorgânicos. Disponibilizar um lixeiro no sanitário para objetos como absorventes femininos, fraldas, fio dental, chicletes, etc.

E para tornar a compostagem mais eficiente, sugere-se que as câmaras fiquem posicionadas para o Norte, direção que recebe mais calor do sol e, portanto, acelera o processo, tornando-o mais eficiente. Não coloque nenhum tipo de barreira para o sol, como árvores atrás do sanitário.

Em 2008, o composto do banheiro seco do GV foi coletado e analisado pela Acadêmica de Engenharia Ambiental da UNESC. Os resultados demonstraram que este composto atende todos os parâmetros de qualidade e em alguns casos até supera os padrões exigidos pelo Ministério da Agricultura. Assim, todo o composto produzido nos banheiros secos do GV são utilizados nos plantios de árvores e paisagismo do Projeto.

CIRCULO DE BANANEIRAS

É uma tecnologia simples, derivada da observação da natureza: ela combina e aproveita recursos naturais, utilizando-os para a necessidade de minimizar impactos ao ambiente com a produção de seus próprios efluentes domésticos.

O círculo de bananeiras é usado no tratamento das águas cinzas (provenientes de lavanderia, chuveiro, pia de cozinha).

A construção de um círculo de bananeiras é extremamente fácil: um buraco (as dimensões variam de acordo com a quantidade de efluentes produzidos) onde são colocados um pouco de entulho (restos de madeira, tijolos e um pouco de terra). Acima deste, e em forma circular, planta-se bananeiras e outras espécies de folhas largas como taióba, costela de adão.

O princípio do círculo é que estas plantas consomem bastante água e liberam o excesso através de suas largas folhas pelo processo da evapotranspiração.

VIVEIRO

O viveiro foi criado em setembro de 2000 quando se coletaram sementes de plantas nativas na área do projeto. Até o momento, foram produzidas cerca de 140 espécies e 200 mil mudas. Destas, cerca de 170 mil foram destinadas às ações desenvolvidas no programa de preservação e recuperação dos ecossistemas, como criação de corredores de floresta; restabilização dos solos arenosos; recuperação da paisagem; substituição de bosques de exóticas e paisagismo.

Dentre as principais essências da mata atlântica, destacamos a produção de aroeira, pitangueiras, jerivás, palmitos, ipês, pau-ferro, guapuruvu, araçás, canelas e capororocas.


CRIAÇÃO ORGÂNICA DE BUFALOS

A criação orgânica dos búfalos em sistema de pastoreio voisin (rotativo), iniciou-se em 2000, sob a orientação do professor Abdon Schmitt, da (UFSC). A proposta é de realizar um manejo ecológico da pastagem e do rebanho.

O rebanho bubalino do GV é composto essencialmente pela raça Mediterrâneo, e a produção é para fins de corte.

O que é Pastoreio Voisin

Ø É um sistema de pastoreio racional, idealizado a partir da compreensão de que é necessário promover o encontro harmonioso entre o animal e o pasto, permitindo a boa nutrição do animal e o contínuo incremento do pasto.

Ø O princípio fundamental é o de respeitar a tendência natural de rebrote das gramíneas e leguminosas. Estas são capazes de rebrotar, depois de cada corte, várias vezes durante o mesmo ano, desde que possuam substâncias de reserva (glicídios e lipídeos) armazenadas nas raízes e nas partes aéreas mais baixas, próximo ao nível do solo. O importante, portanto, é que essas plantas tenham tempo suficiente, entre um corte e outro, para realizar fotossíntese (pela parte aérea) e armazenar suas substâncias de reserva, que serão alocadas para o posterior rebrote.

Ø Dessa maneira são feitos diversos cercados (piquetes de aprox. 0,5 hec) numa determinada área do campo, onde um lote de 40 a 50 animais permanece por cerca de 01 dia e é manejado no dia seguinte para o piquete vizinho e assim sucessivamente até o 1º piquete apresentar condições adequadas de rebrotação (cerca de 30 dias).


O rebanho recebe ainda sal mineral juntamente com superase e homeopatia para prevenção e controle de ecto e endoparasitos. Além disso, utilizamos carrapaticida natural e caseiro: feito com mistura de óleo usado de cozinha, macerado de frutos e folhas de cinamomo juntamente com fumo em corda. Esta infusão, após filtrada é utilizada em banhos mensais, de forma bastante eficiente no controle de carrapatos

SISTEMA DE ÁGUA MÓVEL

Uma pequena bombinha acionada pela energia produzida por um painel solar retira água de um lago e enche um reservatório de 5.000 litros. Todos estes equipamentos montados sobre um carroção agrícola para facilitar o transporte de água nos piquetes de búfalos, onde não há fontes de água.

Foi idealizado a partir da compreensão de que seria impactante para os lagos da propriedade se os búfalos os freqüentassem livremente, além do fato de que eles são criados segundo os princípios do Pastoreio Voisin, em piquetes que nem sempre possuem água disponível. Por essa razão o “Aqua Móvel” tem oferecido excelentes condições de água potável para o rebanho, desde que foi adotado em 2008.


UM POUCO DE DESCONTRAÇÃO

Durante as visitas guiadas, e havendo tempo disponível dos visitantes, os grupos participam de algumas atividades lúdicas que incluem passeios no meio da mata, passeios de charret e também de dindin.



Ao final das visitas, a garotada faz um gostoso lanche coletivo, ao mesmo tempo recebem orientações sobre alimentação saudável.


Comentários

Angella disse…
Parabéns a equipe pelo trabalho desenvolvido.
Grande abraço ecologico.
Luiz disse…
Bom dia!

Gostaria de parabenlizar os participantes e organizadores dos projetos da Fundação Gaia.

Abraços!!!